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terça-feira, 24 de novembro de 2009

Infibulação Islâmica

Texto Adaptado Do Wikipédia Por Carlos André Selva

Uma menininha chamada Ayaan Hirsi Alí. Ela nasceu em 1969 em Mogadiscio, Somália. O seu pai opunha-se ao regime socialista de Siyad Barre e em 1976 a família teve de fugir do país. Aos cinco anos, a pequena Ayaan e sua irmã de 4 anos sofreram a infibulação do clitóris* numa cerimônia organizada pela avó, apesar da oposição do pai a esta prática.

Quando tinha seis anos a sua família deixou a Somália para se fixar na Arábia Saudita, e mais tarde no Quénia, onde a família obteve asilo político. Foi neste país que Ayaan fez a maior parte dos seus estudos.

Em 1992 Ayaan chegou aos Países Baixos como refugiada. Segundo Ayaan, o seu pai pretendia casá-la com um primo residente no Canadá.

Trabalhou como empregada de limpeza e tradutora, antes de frequentar o curso de Ciência Política na Universidade de Leiden. Após a conclusão dos seus estudos trabalhou para a Fundação Wiardi Beckman, um instituto ligado ao Partido Trabalhista (PvdA). A pesquisa que ela ali desenvolveu focou sobretudo a integração de mulheres estrangeiras (maioritariamente muçulmanas) na sociedade neerlandesa.

Na sua opinião, não havia espaço suficiente dentro do PvdA para criticar aquilo que ela via como consequências negativas de certos aspectos sócio-culturais dos migrantes e do Islã.

No seu livro "de Zoontjesfabriek" ("Fábrica de filhos") ela criticou a perspectiva islâmica das mulheres. Na sua opinião, a cultura islâmica pretende apenas que as mulheres produzam filhos para os seus maridos. O livro também critica tradições como a circuncisão feminina, que é muito comum na Somália. Após a publicação do seu livro, Hirsi Ali recebeu várias ameaças de morte. A maioria delas circulou na Internet e não foram consideradas sérias.

Em 2002 o Partido Liberal VVD convidou Hirsi Ali para integrar as listas do partido, tendo sido eleita deputada em Janeiro de 2003.

Em 2004, juntamente com o diretor de cinema holandês Theo van Gogh, ela fez um filme intitulado "Submissão" sobre a opressão da mulher nas culturas islâmicas:



O título refere-se ao Islão (que significa literalmente submissão a Alá) e foi fortemente criticado pelos muçulmanos neerlandeses, que o consideram uma desgraça para a sua religião.

Theo van Gogh passou a sofrer ameças de morte da mesma forma que Ayaan.
Van Gogh foi assassinado na manhã de terça-Feira, 2 de Novembro de 2004, em Amsterdã, na esquina entre as ruas Linnaeusstraat e Mauritskade, uma zona de Amsterdã onde vivem muitos imigrantes.

Foi esfaqueado e alvejado a tiros (7 tiros) e faleceu imediatamente. O alegado assassino foi detido pela polícia após perseguição e ter sido alvejado numa perna. Era um jovem de 26 anos, de dupla nacionalidade (holandesa e marroquina), muçulmano.
No corpo de Van Gogh, cravada com a faca, encontrava-se uma carta que referia que a próxima pessoa a ser morta seria Ayaan.

A deputada teve de abandonar o país, tendo vivido durante algum tempo na Califórnia, Estados Unidos da América.

Durante as sessões do julgamento, Mohammed Bouyeri acabou por confessar a autoria do crime, afirmando que agiu em nome da sua religião e que voltaria a repetir o ato...

Van Gogh e Ayaan Hirsi Alí são símbolos da liberdade de expressão e do pensamento crítico, por vezes exacerbado, que são característicos de uma sociedade pluralista e moderna.

Em forte contraste com este modelo estão os imigrantes do Magrebe, hoje um setor numeroso da sociedade holandesa, pouco habituados ao confronto de ideias e à crítica à religião (secularização).

*Também chamada de excisão faraônica, a infibulação consiste na amputação do clitóris e dos pequenos lábios, os grandes lábios são seccionados, aproximados e suturados com espinhos de acácia, sendo deixada uma minúscula abertura necessária ao escoamento da urina e da menstruação.

Esse orifício é mantido aberto por um filete de madeira, que é, em geral, um palito de fósforo. As pernas devem ficar amarradas durante várias semanas até a total cicatrização. Assim, a vulva desaparece sendo substituída por uma dura cicatriz.

Por ocasião do casamento a mulher será “aberta” pelo marido ou por uma “matrona”, mulheres mais experientes designadas a isso. Mais tarde, quando se tem o primeiro filho, essa abertura é aumentada. Algumas vezes, após cada parto, a mulher é novamente infibulada.

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postado por Rodrigo Arthur D. S. Melo às