O Mesmo E O Outro

Entre os religiosos e as sociedades primitivas encontra-se uma idéia de dualidade que consiste em “O Mesmo E O Outro”. A Princípio, essa divisão não tem razões fisiológicas, genéticas, reais... Eles criam uma distinção imaginária e estabelecem assim um sujeito e seu oposto, por exemplo: O bem e o mal, dia e noite, direita e oposição, Deus e Lúcifer, mulher e homem. Uma abstração simbólica como essa não tem qualquer contato com a realidade.
A alteridade, a divisão entre O Mesmo E O Outro está presente no ser humano desde os primórdios mais longínquos da sociedade e ainda hoje ela se encontra facilmente perceptível em nossos dias. Basta que um grupo de amigos no colégio sejam levemente unidos para que os demais sejam chamados de outros e sejam levemente hostilizados. Também acontece muito, isso, em relação às nações: Um viajante percebe ao passar por outros países, que neles é chamado de estrangeiro, estranho; embora em seu país, eles sejam os outros, os homens dessas nações distantes que são chamados de Outros, estrangeiros. Estabeleceu-se também, uma distinção em oposição entre o homem e a mulher: O homem sempre foi considerado aferidor da medida, aquele que serve como parâmetro para interpretar a realidade, e a mulher sempre foi vista apenas segundo essa ótica de oposição direta ao homem. As mulheres jamais tiveram uma religião (budismo, cristianismo, zoroastrismo, espiritismo), partido político, história (eram até omitidas das narrações históricas em sociedades antigas), voz audível na sociedade. Se por um lado o homem é o sujeito, a mulher é vista na sociedade apenas como sua oposição, quando na verdade não é uma oposição ao homem, não se trata de positivo e negativo, nem de calor e frio. A mulher não pode existir sem o homem, e o homem não pode existir sem a mulher; ainda que o homem quisesse findar todas as mulheres, os vínculos fisiológicos que os unem são necessários para sobrevivência de ambos. Nos partidos religiosos, basta que um homem, O Mesmo, tenha uma religião para que denomine todas as demais religiões existentes como Outras e as considere não verdadeiras.
Segundo Levi Strauss: “A passagem do estado natural ao estado cultural, define-se pela aptidão por parte do homem em pensar as relações biológicas sob a forma de sistemas de oposições: a dualidade, a alternância, a oposição e a simetria, que se apresentam sob formas definidas ou formas vagas, constituem menos fenômenos que cumpre explicar que os dados fundamentais e imediatos da realidade social”.
Agora, explicação por Simone de Beauvoir: “Tais fenômenos não se compreenderiam se a realidade humana fosse exclusivamente um mistein baseado na solidariedade e na amizade. Esclarece-se, ao contrário, se, segundo Hegel, descobre-se na própria consciência uma hostilidade fundamental em relação a qualquer outra consciência; o sujeito só se põem se opondo: ele pretende afirmar-se como essencial e fazer do outro o inessencial, o objeto”.
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