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terça-feira, 24 de março de 2009

Além da Morte

Alguns homens não nascem para a felicidade, convém aceitar o próprio destino e abraçar um projeto nobre; o amor foi feito para poucos. Todavia, há muitos que inutilmente se descobrem nele; melhor seria nunca ter existido. A mortalha leva as pessoas que amamos, conseqüentemente vivemos além da morte.

Depois de tudo, o que me resta é a morte; responsabilidade de aprender a morrer novamente. Sem a doçura da ilusão amada, que dá lugar ao vácuo consumindo por dentro. Esqueci lentamente, vivo pela primeira vez a eternidade.

Agora, conhecendo a doçura de ter morrido, posso dizer tudo o que tem valor realmente. fui poeta, filósofo e sacerdote. Sobrepujei a todos os que viveram antes de mim, e não houve coisa alguma maravilhosa demais aos meu olhos, nem palavra tão arrebatadora que rompessem meus sentidos. Contudo, uma mulher me roubou as palavras.

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postado por Rodrigo Arthur D. S. Melo às