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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Romanos 12.1-2

1 Παῦλος δοῦλος Ἰησοῦ ⇔ Χριστοῦ, κλητὸς ἀπόστολος ἀφωρισμένος εἰς εὐαγγέλιον θεοῦ, 2 ὃ προεπηγγείλατο διὰ τῶν προφητῶν αὐτοῦ ἐν γραφαῖς ἁγίαις

Como explicar o οὖν que deveria ligar este verso ao anterior?

Estou totalmente de acordo com Schultz ao afirmar que é impossível conectar o capítulo 12 diretamente com a idéia do capítulo 11. Não podemos identificar as misericórdias de Deus (v.1) com a misericórdia demonstrada no decorrer da salvação que atravaessa a esfera da história (Rm.11.32). A verdadeira relação com o anterior é muito mais ampla! Não é apenas uma relação entre duas partes da epístola.

Religião entre os povos antigos era chamada de culto (no latim, cultus). O culto judeu possuía quatro tipos de sacrifícios que poderiam ser resumidos em dois: O primeiro, compreendendo o sacrifício que é feito antes da reconciliação e para obtê-la (sacrifício pelo pecado e pela transgressão). O segundo, sacrifíco oferecido após a obtenção da reconciliação e oferta para celebrá-la (as ofertas queimadas e as ofertas de paz). A grande divisão da Epístola Aos Romanos é simbolizada por esta explicação.

A idéia fudndamental da primeira parte que vai dos capítulos 1 ao 11 é o sacrifício oferecido por Deus pelo pecado e transgressão do gênero humano. Testemunha disso, é a passagem central Rm 3.25 e 26, que demonstram as misericóridas de Deus para quem Paulo apela em Rm 12.1 e durante o desenvolvimento dos primeiros onze capítulos.

A parte prática, onde nós estamos começando, (Rm 12.1) corresponde aos segundo tipo de sacrifícios que simbolizavam a consagração após o perdão ter sido recebido (o holocausto, em que a vítima era inteiramente quiemada) e a comunhão restabelecida entre Jeovah e o crente (a oferta de paz seguida por uma festa no pátio do templo). O sacrifício de expiação oferecido por Deus na pessoa de seu Filho agora deve encontrar sua resposta no crente com sacrifício de completa consagração e íntima comunhão.

Dessa maneira estão as poderosas primeiras palavras: "Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus". Essas palavras apreendem em si toda a parte doutrinária e incluem toda a parte prática. Assim, assemelhando-se a Efésios 4.1. Ainda em Romanos 12.1, a relação de idéias expostas enche a mente do apóstolo que para designar a conduta do crente em resposta à obra de Deus emprega a expressão vítima e vítima viva fazendo alusão aos sacrifícios judeus.

O termo Παρακαλῶ difere do mandamento legal pois apela para um sentimento já existente no coração que é a fé na misericórdia de Deus. Também é por esse termo que Paulo em Ef 4.1 passa da parte doutrinária para a parte prática nessa epístola (apesar do seu título) dirigida aos cristãos que Paulo não conhecia pessoalmente (1.15, 3.2, 4.21).

O διὰ, por, dá a entender ao leitor que as misericórdias divinas são o poder por meio do qual esta exortação deve tomar posse de sua vontade.

A palavra παριστάναι, apresentar, é o termo técnico para designar a apresentação das vítimas e oferendas no culto Levítico (Lucas 2.22). A vítima a ser oferecida é o corpo do crente. Muitos consideram que o corpo representa a pessoa inteira. Mas por que não dizer nesse caso ὑμᾶς αὐτούς, vós mesmos? Comparando 6.13. De Wette entende que Paulo usou a palavra para lembrar seus leitores de que o corpo é a sede do pecado, mas essa intenção seria supor que a pergunta sobre o ser discutido foi a destruição deste princípio hostil, enquanto que o apóstolo fala sobre a ativa consagração do corpo.

Não nos esqueçamos de que aqueles a quem o apóstolo aqui endereça ἀδελφοί, irmãos, a quem ele exorta, são crentes já interiormente consagrados. O Capítulo 6 mostrou como a justificação pela fé oferece o princípio da santificação. É em nome deste trabalho final que Paulo agora convida-os a levarem a vida consagrada de vítimas e o instrumento indispensável para este propósito é o corpo. Portanto, o apóstolo, supondo a vontade já existente, não requer mais do que a consagração do corpo.

A expressão θυσίαν ζῶσαν, vítima vivendo, refere-se à vítima animal que era oferecida no culto levítico por Paulo quando colocava ela para morrer. O sacrifício requerido por Paulo é o oposto desses. A vítima tem que viver a tornar-se, em cada momento de sua existência, o agente ativo da vontade divina. O termo vivendo não está num sentido espiritual, mas deve ser tomado em sentido estrito.

A palavra θυσίαν anteriormente traduzida como sacrifício pode ter esse significado, mas o significado vítima concorda melhor com o termo παραστῆσαι, apresentar.

O epíteto ἁγία, santo, pode expressar a idéia de uma verdadeira santidade em oposição ao mero ritual levitico de purificação por vítimas. Mas nesse sentido Paulo não iria ter dito ὅντως ou ἀλητῶς ἁγία, verdadeiramente santo? Ele quer dizer que o anterior está em contraste com o novo culto de corpo no culto a Deus porque o corpo foi usado anteriormente sob o domínio do pecado. Este corpo, cheio de vida e constantemente ocupados pelo bem, irá apresentar um espectáculo de gratidão agradável aos olhos de Deus. Ele será uma "oferta de aroma suave (agradável gratidão) ao salvador" no sentido Neo-Testamentário. É isso que se expressa pelo terceiro epíteto.

Alguns têm ligado o τῷ θεῷ, de Deus, com o verbo παραστῆσαι, apresentar. Mas isso seria uma tautologia e existem muitas palavras importantes que separam os dois termos. As últimas palavras do versículo certamente estabelecem um contraste entre o culto exterior do Antigo Testamento e o espirtiual do Novo. Por isso vários comentaristas têm sido levados a dar à palavra λογικὴν, racional, o sentido de espiritual; comparando com 1 Pe. 2.2, onde, em consequência da conhecida antítese (leite espiritual), não pode haver dúvidas quanto ao significado desta palavra. Mas por que Paulo não usou adequadamente nessa passagem o termo πνευματικὸν, espiritual? Calvino considera o epíteto racional como oposição às práticas superticiosas dos pagãos e Grotius contrasta com a ignorância das vítimas. Percebo que em todas estas explicações foi esquecido de levar em consideração uma palavra importante, o complemento ὑμῶν, vós. Não é esse o pronome que explica a escolha da palavra λογικὴν, racional, da qual, indubtávelemente o verdadeiro sentido é esse: "o culto que racionalmende corresponde às premissas morais contidas na fé em que professamos?"

Alguém perguntará se Paulo, exigindo simplesmente que o culto (cultus), que é uma vida dedicada ao bem, quer dizer excluir o irracional, os atos de culto propriamente dito. Seguramente não, uma série de passagens provam o contrário; comparando por exemplo: 1 Coríntios. 11-14. Apenas os atos de culto externo não têm qualquer valor aos seus olhos, exceto como meio de sermos verdadeiramente racionais e estimularmos o culto do qual ele fala aqui. Cada ato de culto que não é problema na santa consagração de quem participa do mesmo, é chistianísticamente ilógico. Mas o que está sendo feito desta consagração no corpo?

Os principais cultos romanos eram o animismo com o panteão grego-romano, o culto ao imperador e as religiões de mistério.

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postado por Rodrigo Arthur às